19.11.07

Divagações da vitória

Não sei nem bem por onde começar. Não acho que tenha "caído a ficha" ainda completamente.

Trabalhei um monte por isso, foi crescendo como um objetivo ao longo da temporada; conforme vinham os bons resultados, vinha junto uma motivação por mais empenho e dedicação, seja nos treinos, seja nos pequenos detalhes da preparação antes da prova. Mas notei hoje - e achei curioso - que todos estes pequenos sacrifícios não passaram pela minha cabeça quando eu estava lá correndo. Talvez isto esteja entre o que mais gosto no ciclismo - atingir este estado quase zen, seja num treino ou em uma corrida. Claro, o histórico de tudo que se passou ao longo desta temporada estava de alguma forma lá, comigo - mas sem um drama de rever, antes do ataque final, cada uma das coisas que abri mão para estar lá.

Muitas vezes fico pensando sobre a recompensa destas coisas que abro mão. Não há glória nenhuma em deixar de ir à uma festa para treinar no dia seguinte, e se os resultados não vem, ficamos às vezes tentados a achar que foi tudo em vão, que não valeu a pena - tremendo engano, terrível culpa dos padrões de recompensa que nos são ensinados. E se o Ricardinho tivesse me alcançado, e com isso eu não conquistasse o campeonato? Óbviamente, tudo teria a mesma validade, a mesma importância. Teria, mesmo assim, valido a pena. O resultado é só um doce estímulo a mais.

A temporada vai se encerrando da melhor maneira possível. Tenho somente mais três corridas - os jogos intermunicipais, o Giro das Hortências e a Volta de Sapiranga, e então minhas já bem aguardadas férias. Uma breve pausa nos treinos, que servirá tanto para descansar as pernas antes da próxima temporada, como para permitir dedicar-me mais intensamente ao mestrado neste final de semestre. Falando no qual, devo pensar em algumas listas de exercícios, um projeto de uma cadeira e um seminário para outra. Uma analogia entre as metáforas do ciclismo e da vida na pós claramente não é muito dificil de ser estabelecida... :-)

1 comment:

monimay said...

Well, I think thats just the way it is...
Justamente ontem eu estava lendo a parte da minha tese onde fala de Flow.
A coisa mais fascinante do ser humano eh o porque ele faz esse tipo de coisa: pq q ele abre mao de milhares de coisas realmente necessarias aa sobrevivencia por causa de algo, q nao soh nao eh necessario, como em geral ainda eh contraprodutivo (por exemplo consumir 12 bilhoes de calorias para nao chegar a lugar nenhum).
A conclusao q Csikszentmihalyi chega (procure por esse nome no meu blog) eh q a motivacao intrinsica eh mais importante q a extrinsica, ou seja, as consequencias materiais q nosso fazer traz. A motivacao extrinsica soh passa a ser importante qdo a motivacao intrinsica nao chega, como na maior parte dos empregos.
Mais do q isso, Csik acha q a motivacao extrinsica eh a maior inimiga da intrinsica, pq outorgamos a autoridade do nosso fazer para outros.
E o comeco e o fim de todo o prazer eh a liberdade de escolha...
(Lembrando q aas vezes sinto saudades do nosso chima no parcao, no apuca, na chacara... :) )