28.11.07

Ainda bem que existe Beethoven

Freude, schöner Götterfunken, Tochter aus Elysium,
Wir betreten feuertrunken, himmlische deinen Heiligtum;
Deine Zauber binden wieder, was die Mode streng geteilt;
Alle Menschen werden Brüder, wo dein sanfter Flügel weilt.

Mais duas semanas e o semestre se foi, por bem ou por mal. Prova de Nanofotônica na sexta, junto com meu seminário para a cadeira de Metodologia de Pesquisa, e na outra semana, lista e prova de Teoria Eletromagnética, da qual ainda não recebemos de volta a segunda prova. E então, adeus às cadeiras, poderei me concentrar inteiramente à pesquisa e à escrita da dissertação. E aos planos da minha nova bicicleta de contra-relógio :-) (Referência mandatória à "the difference between man and boys is the price of their toys" ...)

26.11.07

Semanas

Não tomei tempo para divagar nesta última semana, então segue aqui uma pequena atualização do que se passou. Primeiramente, fiquei muito contente com as diversas parabenizações pela conquista da Copa União. Traz uma grande satisfação poder compartilhar um pouco desta alegria com todo mundo, mesmo que seja apenas através de uma foto ou uma notícia (aliás: aqui está o release da equipe).

Academicamente... estou desconfiado que o "mal" ajuste das amplitudes nas minhas órbitas não é de fato tão ruim assim, e decorre tão-somente da convergência lenta da fórmula do traço. A Sandra propôs então testar outras medidass além da condutância para ver se observamos desencontros da mesma ordem de grandeza. Assim, estou elaborando uma formulação matricial de outra propriedade de transporte (o time delay, ou o atraso na fase de uma onda), que já foi bastante estudado em mapas e hamiltonianos, e possibilitaria termos um parâmetro de medida para compararmos. Esperava já ter um plot preliminar, mas apesar de ter passado a tarde de hoje brigando contra o Maple, não obtive muito sucesso. Paciência... No meio tempo, enquanto a reforma da nossa sala não saiu do chão (literalmente, pois ainda estamos sem piso), comemoramos o aumento anunciado de 20% nas bolsas de mestrado e doutorado, a valer a partir de março...

Treinei pouco nestes últimos dias. Como havia mencionado, vou diminuir gradualmente a duração e intensidade das sessões de treino até uma parada completa pela metade de dezembro, para só então me preocupar com a base da temporada do ano que vem Enquanto isso, estou me divertindo configurando uma bicicleta de contra-relógio, arma para disputar o Campeonato Brasileiro de 2008.

Já esta semana que se inicia tem "Nanofotônica" escrito por todos os lados: lista de exercícios, prévia do projeto de laboratório, e a prova, que pendente negociações com o professor, deverá ser na sexta-feira. O final de semana também promete, com os Jogos Intermunicipais no sábado, aqui em Porto Alegre, e a Volta de Sapiranga no domingo. (E por hoje é só...)

19.11.07

Divagações da vitória

Não sei nem bem por onde começar. Não acho que tenha "caído a ficha" ainda completamente.

Trabalhei um monte por isso, foi crescendo como um objetivo ao longo da temporada; conforme vinham os bons resultados, vinha junto uma motivação por mais empenho e dedicação, seja nos treinos, seja nos pequenos detalhes da preparação antes da prova. Mas notei hoje - e achei curioso - que todos estes pequenos sacrifícios não passaram pela minha cabeça quando eu estava lá correndo. Talvez isto esteja entre o que mais gosto no ciclismo - atingir este estado quase zen, seja num treino ou em uma corrida. Claro, o histórico de tudo que se passou ao longo desta temporada estava de alguma forma lá, comigo - mas sem um drama de rever, antes do ataque final, cada uma das coisas que abri mão para estar lá.

Muitas vezes fico pensando sobre a recompensa destas coisas que abro mão. Não há glória nenhuma em deixar de ir à uma festa para treinar no dia seguinte, e se os resultados não vem, ficamos às vezes tentados a achar que foi tudo em vão, que não valeu a pena - tremendo engano, terrível culpa dos padrões de recompensa que nos são ensinados. E se o Ricardinho tivesse me alcançado, e com isso eu não conquistasse o campeonato? Óbviamente, tudo teria a mesma validade, a mesma importância. Teria, mesmo assim, valido a pena. O resultado é só um doce estímulo a mais.

A temporada vai se encerrando da melhor maneira possível. Tenho somente mais três corridas - os jogos intermunicipais, o Giro das Hortências e a Volta de Sapiranga, e então minhas já bem aguardadas férias. Uma breve pausa nos treinos, que servirá tanto para descansar as pernas antes da próxima temporada, como para permitir dedicar-me mais intensamente ao mestrado neste final de semestre. Falando no qual, devo pensar em algumas listas de exercícios, um projeto de uma cadeira e um seminário para outra. Uma analogia entre as metáforas do ciclismo e da vida na pós claramente não é muito dificil de ser estabelecida... :-)

18.11.07

News flash

Ganhei. Não só a etapa, mas o campeonato - graças ao fantástico trabalho de equipe junto com o Gean. Abaixo a sequência da chegada. Um relato completo segue quando eu me recuperar por inteiro.

In the mean time...

Subi à Linha Brasil no feriado de quinta-feira, como último treino forte antes da final da Copa União/Gatorade que acontece neste domingo. Ventava muito, e o termômetro no Laçador registrava parcos 13 graus quando passei por lá, em torno das 8h da manhã. Para o meio de novembro, isso é deveras frio. Ao longo da subida, esquentou um pouco, tornando o dia, apesar do vento, bastante agradável para se pedalar.

Encontrei meu pai lá em cima, almoçamos, ciesta, colhi algumas laranjas em volta da casa, uma parada na Padaria Petrópolis para um café e doces - um dia pleno na vida de um ciclista, poderia-se dizer. De volta em Porto Alegre, ainda fui tomar um chimarrão com o Pedro e Kàzic na orla do gazômetro - fizemos algumas fotos e assistimos um lindo pôr-do-sol enquanto mateávamos.

Ontem foi um dia para colocar as pernas pro ar, organizar um pouco o quarto, fazer outras errandas. Encontrei toda a turma num bar uruguaio na Cidade Baixa; tomei um café junto com uma torta de alfajor. Ninguém quis sair para dançar depois, logo a noite não se encerrou muito tarde.

Hoje, por fim, um roteiro ideal de sábado: um típico treino pré-prova pela manhã, almoço com a vó, ciesta, chimarrão no Parcão com Pedro, Rocca e Vitório.. e, para terminar em grande estilo: lembram-se daquela massa que eu ofereci pela minha conclusão do curso no ano passado? Posso dizer orgulhoso: a massa ao molho gorgonzola que fiz hoje à noite ficou muito melhor.

14.11.07

Dilemas

Eu penso um monte, mas, naturalmente, nem todos os assuntos são apropriados à divulgação aos quatro ventos. Muitos destes são discutidos com amigos do círculo mais íntimo em conversas particulares, ou, na impossibilidade destas, em alguns e-mails (que já renderam threads bem interessantes).

Mas nem todo assunto é digno de um e-mail só para dizer "vejam, este é o atual estado do mundo, e tenho pensando nisto", e era pensando nestes casos que achei que um blog seria uma boa saída. Mesmo assim, não sei se estou à vontade para compartilhar todas estas opiniões...

Em tempo: Mais vida real e menos vidas virtuais. Real life FTW!

12.11.07

You don't have to dream to get there...

...but it's harder than it seems, to get there.
[Jesus Jones, "To Get There", música-tema da cobertura do Tour de France na ESPN]

Fui sábado para Teutônia para correr a 1a etapa da Volta Ciclística daquela cidade, uma prova de escalada na pequena localidade de Linha Harmonia. Lindo vilarejo rodeado por morros igualmente bonitos - e altos. Pouco antes da largada, o mundo veio abaixo, o que eu considerei inicialmente positivo: prefiro a refrescância da chuva ao mormaço, especialmente em uma subida com o sol no lombo.

Bom, escaladas não são meu forte, mas me defendi como pude para chegar em 8o lugar, ainda mantendo contato visual com o grupo que levou as primeiras colocações. Rafael Gehardt (Avaí/Florianópolis) levou a primeira colocação, com o atual campeão gaúcho, Cleiton Fadanelli (ACACI/Caxias), em segundo. Fiquei satisfeito quando vi alguns nomes que chegaram atrás de mim, como Jefferson Molter (APEG) ou Jair Farias (Acivas/Beto's Bike), e mesmo o Ricardinho Machado (Adventure Bike Shop), que lidera a Copa União. Ainda assim, como a classificação se dava por pontos, isto significaria que teria de recuperar o prejuízo no domingo se quisesse ter alguma chance de um lugar no pódium.

As alternativas de hospedagem em Teutônia deixaram a desejar. O hotel da cidade já estava lotado (além da prova de ciclismo, havia uma competição de Mountain Bike e um encontro de corais tomando conta de todas as hospedarias da região), e o alojamento reservado pela Federação, consistindo de uma escola com duas salas de aula, já não tinha mais colchonetes. Logo, entre dirigir até Lajeado e pagara 30 ou 40 reais, preferi optar por investir a mesma quantia na gasolina e voltar para dormir em casa - aproveitando, além do meu colchão, a possibilidade de limpar a bicicleta, trocar todas as roupas por mudas secas, e preparar um novo prato de massa para levar no dia seguinte.

No domingo, voltei à Teutônia em companhia do meu amigo Mauricio Fleck (ex-ciclista e hoje fotógrafo do ÁguasdoSul). A chuva do dia anterior tinha dado lugar à um lindo dia de céu azul, porém tendo o forte vento como preço por esta mudança. A prova realizaria-se em um circuito de 2km, que pode ser resumido como sendo composto de 1km lomba acima, contra o vento e 1km lomba abaixo, à 50 km/h ou mais; duas curvas de 180 graus em cada ponta; a Elite percorreria 30 voltas.

O foguetório não tardou por começar, com os atletas de Caxias tentando sempre colocar o líder em posição de dificuldade; este, por sua vez, recrutou alguns amigos no pelotão para lançar contra-ataques. Atuando como "freelancer", lancei alguns ataques, mas as composições das fugas sempre foram desfavoráveis, e com tal poder de fogo nos perseguindo, os esforços acabaram sendo em vão. Nas últimas dez voltas, os dois líderes racharam o que restava do pelotão e eu não consegui me juntar à eles, fiquei novamente em um grupo que disputaria a 6a colocação. Me posicionei como pude e tentei economizar energias para o sprint final, mas fui superado - por menos de uma roda - por Daniel Salazar na chegada. Um novo sétimo lugar não foi suficiente para pegar um lugar no pódium, mas mesmo assim foi um bom resultado.

O Fleck dirigiu de volta, eu praticamente apaguei, e só cheguei em casa depois graças ao "piloto automático" que já sabia o caminho dos últimos quilômetros. Banho, janta e cama, a tradicional celebração dos resultados no Mulligans teve de ser adiada por absoluta falta de condição do proponente...