23.2.09

Monday Review Letters

Monday morning. Coffee table updated, presentation for the DPG conference ready. My room is empty. I take a minute to wonder what the next step is, and in the meantime start organizing the articles and notes on my desk. That this leads to a full-scale wondering on the inner mechanisms of science should not come as a surprise. The branching possibilities are infinite.

As of late, many of our lunchtime discussions have revolved around Science 2.0, with a particular focus to questions posed by Michael Nielsen in his blog. How much knowledge goes unnoticed or must be (constantly) reinvented or rediscovered? How many thousands of collective heads must bang against the walls throughout Academialand until finally one solution becomes feasible? Is this really the optimum solution?

I often question how is progress effectively made. Progress, here, taken as 'the potential for the collective to effectively apply the resulting knowledge'. Maybe this isn't clear enough, so I'll try again. How does research - and in this particular case, say, quite abstract results in a highly specialized mathematical formalism - end up providing something to a broader class of scientists, and eventually later engineers, so that they might at some point give back to the society as whole?

(Perhaps not all progress should lead to technological applications; possible implications to philosophy should be included, for instance, but this is a ramble I'll leave for another occasion.)

In the case of Quantum Computation, we have half a dozen of possible physical implementations, which range from superconducting charge or flux qubits to nuclear magnetic ressonance to trapped ions to quantum optics - which currently pays my bills... Each has its pros and cons; while a given unitary transformation might be trivial in one implementation, the required interaction might be unavailable in another; equally, some carriers are more stable with regards to decoherence, but eventually less scalable, etc. Even inside the optics paradigm, there are still three or four main architectures and it's not entirely clear which one (if any) will ever be considered a clear winner.

So. Under a thread of 'Quantum Error Correction' - ie, protection against decoherence - I'm investigating schemes on both discrete (|0> and |1>) and continuous (|x> and |p>) variables (and eventually hybrid configurations), both in traditional circuit models (ie, sequence of gates) as in cluster state representations (where measurements implement the transformations); a more daring possibility would include investigating toric, surface and other topological codes, which give access to a whole new formalism with intrinsic error correction (for those interested, references will be posted as a comment).

Which brings us to yet another central question - and a long known Shakespearean dilemma: to provide a solution through brute force and hope that scalability will eventually allow for such implementation, or to keep searching for a simple and elegant way employing some phenomenon or resource which has so far gone by unnoticed? After reading dozens of Nature, Science and PRL articles, it is clear by now that not all of them bring really novel ideas and breakthrough results - some are simply the fruit of working a scheme to exhaustion and reporting back on the findings. And yet they provide some of the most fundamental building pieces from which one is then able to step forward.

I still believe the right inspiration leading to a brilliant idea can change a whole field, but it's fruitless to sit looking at the wall waiting for such a spark to come - to which I wrap this post, citing Bernard Lonergan: "It is not by sinking into some inert passivity but by positive effort and rigorous training that a man becomes a master of the difficult art of scientific observation". Off to another espresso and then back to the readings...

8.2.09

Infinita

Eu vejo o horizonte trêmulo, eu tenho os olhos úmidos
Eu posso estar completamente enganado
Eu posso estar correndo pro lado errado
Mas a dúvida é o preço da pureza
E é inútil ter certeza...
(Engenheiros do Hawaii, "Infinita Highway")

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Chove lá fora - um bom sinal: significa que a temperatura está acima de zero (de fato, o termômetro marca +2°C). Perfeito para o primeiro treino do ano com os colegas da equipe...

31.1.09

Whiskas' 101

O número cento-e-um ao lado do meu apelido, ao contrário da pergunta de um amigo, não tratava de um curso de introdução aos aspectos básicos de Whiskas. Referia-se, meramente, a contagem de dias em solo germânico na atual incursão. A centena foi comemorada modestamente: um espresso duplo na faculdade e, mais tarde, um iogurte com açúcar mascavo na companhia do Benjamin. No mesmo dia, me despedi do Michael, que encerrou seu estágio na Siemens em Erlangen; tenho agora um apartamento praticamente só meu...
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A idéia do 'curso introdutório' não foi completamente descartada. Material para tentar explicar os diversos fatores que me definem Whiskas não falta, mas ainda preciso de um pouco de ordem para colocar tudo numa estrutura coerente...
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Foi-se janeiro.

24.1.09

Decifra-me ou ...

O último post de 2008, 'Direto do trem', motivou uma reflexão sobre o estado das coisas. Talvez tenha passado uma imagem um tanto angustiante, mas asseguro que não era este o objetivo. Quero, sim, tentar expôr algumas sensações que nem sempre são facilmente compreendidas - e portanto tanto menos espressadas.

Arquiteto planos de um doutorado e de um período estendido na Alemanha desde o final da minha graduação, ou seja, já há pelo menos dois anos. Todos os motivos que eu tinha àquela época ainda existem, e ainda são fatores que eu valorizo muito na vida por aqui. Todavia, a conjectura mudou bastante neste período: voltei a pedalar de forma bastante competitiva; fiz novas amizades e desenvolvi outras já existentes; mudei bastante meu relacionamento com a Física e a Universidade; fiz inúmeras viagens, empreitadas e indiadas - todo o desenvolvimento do 'Whiskas Lifestyle'. Se o processo de decisão tivesse se localizado apenas nestes últimos meses, talvez tivesse encontrado outro resultado. Mas mantive-me fiel à idéia original, e aqui estou.

Por quê? Dado que certas escolhas haviam sido feitas, algumas há bastante tempo, já influenciadas por estes planos, seria por orgulho, medo de voltar atrás, teimosia? Ou, sob outro ângulo, seria por idealismo ou determinação de perseguir um antigo sonho? Muito provavelmente, uma mistura de ambos. Tenho investido algum tempo tentando encontrar e delimitar os componentes de um e de outro - o que define, aliás, o período do doutorado como algo além da pesquisa acadêmica, mas isso é assunto para outro post.

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Os últimos finais-de-semana - com temperaturas bastante amenas e lindos dias de céu azul - propiciaram excelentes pedais pelos campos da Baviera. No último domingo, arrisquei inclusive um trecho um pouco mais forte na bicicleta de contra-relógio - faltando mais de dois meses para a primeira competição, ainda é um tanto cedo para os treinos específicos, mas uma esticada de vez em quando traz boas sensações...

Enquanto isso, na Universidade, sigo em duas frentes. Por um lado, lendo uma série de artigos e tutoriais, estou buscando alguma 'brecha' interessante para montar um projeto maior, provavelmente envolvendo a implementação óptica de um computador que utilize a topologia de um cluster como base para o processamento. É uma idéia bastante recente; ainda um tanto complexa, mas que oferece várias possibilidades interessantes. Por outro lado, um problema aparentemente simples - a montagem de um circuito óptico trivial, que pode ser 'traduzido' para noções rudimentares de Álgebra Linear - segue nos desafiando: depois de algumas semanas debruçado nos cálculos, não encontrei uma solução, mas tampouco consegui provar que esta não existe...

Y asi pasan los dias. Às vezes, ouvindo um tango enquanto bebo um espresso, bate uma saudade da Argentina...

4.1.09

Retrospectiva 2008

Mais um ano veio e foi. Por qualquer ângulo que eu examine, 2008 foi simplesmente fantástico: seja através dos resultados acadêmicos, das vitórias no ciclismo, ou das viagens fantásticas, em todas categorias aparece um superlativo.

No ano passado, escolhi vinte momentos para resumir 2007. Desta vez, vou utilizar-me de algumas imagens que serviram como bom registro dos principais acontecimentos. Com vocês, na minha galeria no Picasa:

http://picasaweb.google.com/ricardo.wickert/Retrospectiva2008


Um ótimo 2009!

22.12.08

Direto do trem

IC 2022 de Frankfurt a Hamburgo. Em um trem do outro lado do planeta, e ainda três ou quatro centenas de quilômetros do que eu no momento chamo de 'lar'. A caminho de Herten, onde irei encontrar minha irmã, meus tios e primos para as festas de Natal. Uma sensação bastante interessante, como sempre.

Junto à esta sensação estão dois outros tópicos, interconectados, sobre os quais quero escrever: uma conversa que tive com Raffaele, nosso posdoc italiano, e uma passagem que acabo de ler no 'Guerra e Paz' de Tolstoy, que estou a ler nesta viagem.

Com Raffaele, almoçando no restaurante universitário da Universidade, discutíamos os possíveis caminhos de uma carreira científica. Mesmo tendo viajado ao estrangeiro para outros pós-doutorados e posições como professor assistente, ele optou pela sua família, e sentia que, ainda que ele pudesse ter avançado mais, não seria possível fazê-lo sem alguns sacrifícios que ele não estava disposto a fazer. Como já contemplei em uma ocasião anterior, pergunto aqui: estamos fadados a viajar constantemente, de cidade em cidade, país em país, para construirmos novas amizades e relacionamentos somente para, em algum ponto futuro, tornar a deixá-los para trás?

Monica me lembrou, mais de uma vez, que nunca é errado investir nas pessoas: conhecê-las e com elas interagir. Com certeza, é um ponto válido, mas: será que tais escolhas simplesmente não permitem que se invista tanto quanto poderia de outra forma ser possível? Meu último post não discutiu propriamente esta questão. Considero, no momento, uma possível estadia de longo prazo na Alemanha, mas ainda tenho expectativas que dizem respeito, principalmente, às minhas habilidades de comunicação, e até qual ponto desenvolverei amizades profundas (ou, porquê não, um relacionamento?). E ainda assim, continuo com esta angústia (AAAAAAAAAAAAAA!!!) pela idéia de ter deixado todos para trás. Ao mesmo tempo, não consigo me imaginar, hoje, não ficar desapontado caso no final eu finalmente concluísse estar tão preso a um lugar específico - até pois, de diversas formas, parece ser o lugar errado.

'Guerra e Paz' tem uma passagem onde Nicholas escreve para casa do front. Ele pede que saudações sejam enviadas, em seu nome, para familiares próximos e amigos, bem como sua prometida Sophia. Há cinco anos, eu estava neste mesmo trem a caminho dos meus tios, e tinha este compromisso para com meu antigo lar. Desta vez a cena não mais se aplica - e por mais doloroso que seja, tento me convencer que é melhor assim. Como fica agora?

The Whiskas' lifestyle, por bem ou por mal...

21.12.08

Under the grey bavarian sky

Hoje completo dois meses de Alemanha. Altos e baixos: começar um projeto de pesquisa completamente novo, numa área florescente, ainda por cima em um lugar como o Instituto Max Planck; conhecer pessoas novas e re-encontrar velhos amigos; ótimas cervejas em qualquer bodega da esquina; possibilidades ímpares para o ciclismo; enfim, uma porção de coisas que posso colocar na categoria dos 'altos'. Por outro lado, bate uma saudade, e com ela, vem uma certa dose de angústia existencial quando contemplo a possibilidade de que eu talvez esteja aqui para ficar. Muito tenho discutido sobre este assunto, e francamente, ainda não tenho uma posição definida. Mas tampouco preciso decidir agora...
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Depois de mais de um mês na universidade, o processo de familiarização com o tema está dando lugar a algumas indagações mais produtivas: 'o que acontece se eu mudar este parâmetro?', ou 'será que não há uma forma mais eficiente de calcular isso aqui?'. Nenhuma descoberta inovadora ainda; todavia já submeti o primeiro abstract para uma conferência, a reunião anual da divisão de Óptica Quântica da Sociedade Alemã de Física, que acontecerá em Hamburgo no início de março.
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Nesta última semana, comecei a treinar de forma mais ou menos estruturada, ainda que tenha me restringido ao rolo devido ao tempo lá fora. Ainda assim, uma hora de treino antes de ir para a faculdade já produz uma saudável dose de endorfinas para o resto do dia. Hoje, porém, depois de uma sessão longa no sábado, havia decidido que iria para a rua de qualquer jeito. Optei por um dos meus trajetos preferidos, Schwanstetten-Harrlach-Meckenlohe, cerca de 25km ao Sul de Nürnberg. Quatro horas e 110km depois, voltei para casa enxarcado, mas de alma lavada. Pedaladas no frio e na chuva exigem uma quantidade extra de energia, para manter o corpo aquecido - dessa forma, o resto do dia consistiu de uma exaustiva reposição calórica...
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Amanhã embarco para Herten, onde passarei o Natal na companhia da minha irmã, tios e primos. De lá ainda vem mais uma atualização; todavia, já deixo registrado aqui: um Feliz Natal para todos!